[POR ONDE ANDA?] ‘Dona’ Clélia foi exemplo como professora e primeira-dama

(Foto: Alexandre Rocha/Com a Palavra)

Por Alexandre Rocha

Querida como professora e respeitada como primeira-dama. É assim que ‘dona’ Clélia de Souza e Castro Aleixo, hoje, aos 97 anos, é reconhecida.

Natural de São Paulo, formou-se em Educação Física na Universidade de São Paulo (USP) e lecionou por 30 anos. Como profissional da área, marcou seu nome na escola Aurélio Arrôbas Martins, o popular ‘Estadão”, e acumulou passagens pela Escola Industrial Feminina de Jaboticabal e Zacharias de Lima, unidade educacional de Monte Alto.

Sua história em Jaboticabal começou ainda na juventude, quando vinha passear na casa de sua tia. Mais tarde, já casada com o também professor Dayton Aleixo de Souza (in memoriam), mudou-se para a cidade onde ele se tornaria professor do Colégio Agrícola e mais tarde prefeito.

 

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Como professora, Clélia tinha um perfil conciliador e até hoje é querida por muitos. “Sempre fui boa professora, modéstia parte. As vezes a aluna tinha alguma dificuldade, mas não era por isso que iria brigar com ela, um dia se aprende. O professor tem que ser bom com todos os alunos e tratar com humanidade”, comenta.

Quando ainda trabalhava em Monte Alto, lembra da jornada que fazia com o único filho para lecionar. “Eu começava a aula às 6 horas da manha, no campo de futebol, e levava ele pois não tinha com quer deixar. Carregava uma malinha com roupa para troca, pegava o trem na estação, ia até Ibitirama e depois Monte Alto”, conta Clélia, que fazia tudo à pé.

Como professora, Clélia era conciliadora e inspirava as alunas (Foto: Acervo Clóvis Capalbo)

A escolha pela profissão surgiu por acaso, em uma conversa em sala de aula, ainda quando estudante. À época, acabou seduzida, principalmente, pela remuneração atrativa. “Eu já gostava de esporte e se ganhasse mais que professora primária era muito melhor para eu fazer”, conta.

Dedicada como professora e primeira-dama

Mais tarde, dona Clélia se tornou primeira-dama e durante cinco anos de sua vida teve que se dedicar ao Fundo Social de Solidariedade. Exerceu com seriedade a função. “Eu segui os conselhos da ex-primeira-dama do Estado, Lucy Montoro. Inclusive, fiz todas as assistentes sociais trabalharem mesmo”, revela.

Na função, ‘dividiu’ a cidade em regiões para atender melhor a população mais carente, criou um lugar de trabalho para alunas ajudarem a fazer enfeites e artesanato, e iniciou um bazar para conseguir levantar recursos financeiros e arcar com despesas do dia a dia. Clélia também sempre demonstrou bastante talento na pintura de panos de prato e por muitas vezes ‘virava a noite’ no ofício.

Clélia (de vermelho), então primeira-dama de Jaboticabal, na cerimônia de inauguração do Paço Municipal (Foto: Acervo Clóvis Capalbo)

Ela se orgulha pelo marido ser considerado um dos melhores prefeitos de Jaboticabal e ter deixado um legado. Clélia tem bastante mérito nisso, pois sempre demonstrou ser uma grande companheira.

Naquele período, vários locais e ferramentas sociais foram criadas e construídas. O Paço Municipal, a fonte da Praça Dr. Joaquim Batista e os Ciafs são alguns exemplos. “Quando fizeram a fonte da Praça Dr. Joaquim Batista, ele e os vereadores passaram a noite achando aquilo lindo. Era alegria de pouca coisa, mas Jaboticabal não tinha nada”, conta.

Hoje, dona Clélia se limita ao bordado e quando sai é sempre para cumprir alguma tarefa do dia a dia. Recentemente, foi síndica do prédio onde mora e esbanja saúde. Questionada sobre os sonhos que ainda tem, ela afirma que continuar ajudando as três netas é o bastante. “E precisa de mais alguma coisa?”, finaliza.

Clélia ao lado do marido Dayton Aleixo de Souza nos 157 anos de Jaboticabal (Foto: Acervo Clóvis Capalbo)

Agradecimento: Clóvis Capalbo

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