POLARIZAÇÃO À BRASILEIRA – QUEM PAGA ESSA CONTA? POR ADÊNIA BATISTA

Na última segunda-feira, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva recuperou os direitos políticos e esse foi o assunto mais falado da semana, no mesmo período registramos a triste marca de 270 mil mortos pela COVID-19, mas parece que mergulhamos novamente em um cenário de polarização, onde a guerra dos ecos prevalece.

O fato é que a decisão do ministro Edson Fachin, relator da Lava-Jato no STF, reacendeu as projeções políticas, que até então eram protagonizadas pelo atual presidente Jair Bolsonaro, e João Dória, governador do Estado de São Paulo. E escancarou-se mais uma vez, a polarização entre Lula e Jair Bolsonaro.

Essa decisão animou petistas que já vislumbram a queda definitiva de Sérgio Moro e uma possível relocação de Lula no pleito eleitoral. Esse é um tipo de cenário que sim, tem tudo para animar Bolsonaro e sua estratégia para buscar a reeleição.

 

POLARIZAÇÃO À BRASILEIRA

 

Partindo do pressuposto de que o eleitorado esteja distribuído em uma escala normal da esquerda à direita, consideramos que o candidato ganha a eleição se conquistar o eleitor que se encontra no meio. Afinal, o candidato da esquerda e o da direita já recebem, respectivamente, os votos dos eleitores posicionados mais à esquerda e mais à direita de acordo com suas preferências e ideologias. Logo, a disputa se define ao conquistar os eleitores localizados mais ao centro da escala, sendo assim, observamos que os candidatos tendem a seguir nessa direção de forma bem sútil, em busca dos votos.

Em 2014, o país viveu o grande ápice da polarização que inclusive, extrapolou a esfera política e ganhou as ruas. O antipetismo cresceu de maneira estrondosa de 2014 a 2018, e pesquisas recentes mostram que hoje, o movimento contra o partido, é um importante definidor do voto para o político que faz oposição ao PT. Assim, assume-se que o presidente Bolsonaro foi favorecido pelo crescimento da rejeição ao PT.

Por outro lado, a evolução do petismo é constituída por um forte crescimento até a eleição de 2002, com uma estabilidade durante os mandatos de Lula e uma queda a partir de 2013 que se acentuou nos anos seguintes.

Esse cenário onde temos a evolução do petismo, representada na figura de Lula, e do antipetismo, concentrada na figura de Bolsonaro, cria-se uma divisão política no país, forçando com que os eleitores se posicionassem em um dos lados e os eleitores medianos submerjam.

A confirmação da polarização política acontece quando a população caminha na direção das extremidades e o centro desaparece, logo a origem da polarização política no Brasil está encastelada na separação entre petismo e antipetismo.

 

 QUEM   PAGA ESSA CONTA?

 

Vale a pena   ressaltar que neste cenário, um dos mais importantes vilões do eleitor hoje é o discurso violento, que prejudica principalmente a livre expressão entre as pessoas.

O diálogo é uma ferramenta fundamental contra o processo de esgotamento mental pelo qual as pessoas — cada vez mais isoladas devido a pandemia— têm passado.   Esse desamparo psíquico extremo segrega os indivíduos dentro de si.

A situação se agrava à medida que a falta de diálogo afeta as esferas familiares, cotidianas, educacionais e de trabalho.

Essa preocupação afeta pacientes de todas as idades e ideologias políticas, mas os mais jovens devem pagar mais caro, pelo menos no que diz respeito à saúde mental.

Isso porque, primeiro, eles são os grandes consumidores de informações negativas compartilhadas nas redes sociais, onde o discurso de ódio e as notícias falsas correm soltos; segundo porque são os jovens que fomentam maior expectativa no cenário político.

 

COMO FICA O DEBATE PÚBLICO?

 

Além de afetar a saúde mental, a falta de diálogo e a tolerância impactam também a forma como o debate público está sendo formado.

Hoje, o Brasil tem hoje dois pólos políticos muito distantes. De um lado, o representante da extrema-direita, Jair Bolsonaro, que ficou conhecido por usar palavras de ordem. E, do outro Luiz Inácio Lula da Silva, do PT, que leva o nome de um partido presente nas últimas eleições, com legado social marcante no país, mas com escândalos de corrupção durante seu governo. O impacto disso é que valores conhecidos de liberdade de expressão e de convivência coletiva em uma democracia começa, aos poucos, a ser substituído por outros valores, como o ódio, a violência e formas irracionais de expressão.

O que temos que focar agora é como garantir o funcionamento da democracia. As instituições políticas são conquistas civilizatórias e elementos organizadores na sociedade.

O fato é que nunca antes na história desse país, será preciso um esforço tão grande para a manutenção da democracia, independente do vencedor dessa disputa, “taokey”?!

 

Adênia Batista

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