Pandemia completa 2 anos: é possível indicar quando vai acabar?

💭 Há 733 dias…

 

Em 11 de março de 2020, a OMS (Organização Mundial da Saúde) decretou a pandemia do novo coronavírus. Na época, eram quase 122 mil casos da doença —a maioria na China. Hoje, dois anos depois, são mais de 452 milhões de casos no mundo e 6 milhões de mortes.

Neste momento, enquanto flexibilizações se iniciam no Brasil, muitas pessoas têm dúvidas dos próximos passos. Afinal, a pandemia vai acabar? Vamos precisar de novas doses de reforço da vacina? É seguro liberar a obrigatoriedade de máscaras em locais abertos e fechados? VivaBem conversou com especialistas para analisar pontos-chave.

 

Como saber se a pandemia acabou?

Países como Reino Unido, Holanda e Dinamarca já realizaram flexibilização total das medidas de enfrentamento da covid-19. Por mais que um país —ou até estados, como ocorre no Brasil, por exemplo— possam acabar com as medidas restritivas, o fim de pandemia acontece oficialmente por determinação da OMS.

“A Organização Mundial da Saúde tem que fazer esse decreto, é ela quem determina se é pandemia ou deixa de ser. Todavia, os países signatários podem aceitar ou não, em geral aceitam”, explica o infectologista Kleber Luz, professor do IMT (Instituto de Medicina Tropical) da UFRN (Universidade Federal do Rio Grande do Norte).

A pandemia acaba em todos os lugares ao mesmo tempo?

Com a determinação da OMS, os países podem escolher acatar ou não a nova classificação da doença, diz Luz. Isso acontece porque cada território terá números próprios de circulação da covid-19.

Entre outros índices, a OMS monitora a escalada ou não de novas infecções e mortes pelo coronavírus. Enquanto alguns podem viver queda de casos, outros podem estar no pior momento da pandemia. Por isso, é difícil unificar os cenários.

Em fevereiro, o Reino Unido anunciou o fim das medidas restritivas, inclusive afrouxando protocolos para estrangeiros. No mesmo período, a Nova Zelândia, uma das referências mundiais no combate à pandemia, via o maior número de casos já registrados no país.

“Teremos que esperar avaliar o quanto tem de transmissão da doença, o impacto em todos os continentes, para decretar o fim da pandemia”, detalha a infectologista Raquel Stucchi, infectologista da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas) e membro da SBI (Sociedade Brasileira de Infectologia).

 

Há o risco de novas variantes surgirem?

Sim, o novo coronavírus ainda pode sofrer mutações e criar variantes. “Como se trata de um vírus RNA com grande capacidade de mutação, sempre há possibilidade de novas variantes, é uma característica não só do vírus da covid, mas de outros, como o da hepatite C e HIV”, diz o infectologista Kleber Luz, da UFRN.

 

Vou precisar de mais doses da vacina?

Estudos que avaliam o tempo de eficácia das vacinas já são realizados no mundo todo. Especialistas consultados por VivaBem lembram que a produção de anticorpos contra o novo coronavírus não dura para sempre. Ou seja, é provável que novas doses sejam necessárias, mas ainda sem data definida. No Brasil, imunossuprimidos (pessoas com deficiências no sistema imunológico) já recebem o segundo reforço —ou quarta dose.

“A resposta imune não é duradoura. Esse conceito na medicina significa que é para o resto da vida. Quem tem sarampo, é quase impossível ter novamente pelo resto da vida, ou seja, a proteção contra o sarampo é duradoura. A produção de anticorpos contra a covid não é, há a necessidade de fazer as doses de reforço”, comenta Kleber Luz.

 

Existe risco ao não usar máscaras em ambientes abertos?

Capitais brasileiras flexibilizaram seus protocolos sobre o uso de máscaras. Em São Paulo, o fim da obrigatoriedade em espaços abertos já vale desde a última quarta-feira (9).

Para os especialistas, há segurança sanitária para a flexibilização, mas é necessário atenção ao distanciamento social e imprescindível colocá-las ao entrar em locais fechados —como no transporte público, por exemplo. No entanto, é recomendado que grupos mais vulneráveis não abandonem o item de proteção, mesmo ao ar livre. É o caso de:

Idosos;

Imunossuprimidos;

Pessoas com comorbidades;

Quem ainda não tomou a terceira dose;

Pessoas que não se vacinaram

Crianças não vacinadas.

Quem tem contato com os perfis descritos acima também devem priorizar o uso de máscara como maneira de protegê-los.

 

É seguro ficar sem máscara em ambientes fechados?

Já o uso de máscaras em ambientes fechados é considerado crítico. A Prefeitura do Rio de Janeiro anunciou nesta semana o fim da obrigatoriedade em lugares fechados, baseando-se em orientação do Comitê Científico.

Neste caso, a infectologista Raquel Stucchi defende que seria interessante fomentar a vacinação —sobretudo infantil— e aguardar o fim do inverno do ano, já que na estação normalmente favorece o aumento de infecções respiratórias.

“Após essa data, o período de evolução da queda seria mais sedimentado, além da época do ano em que a transmissão é mais preocupante já ter passado”, explica. “O município do Rio de Janeiro não é ilha, tem a sua característica de ser uma cidade que atrai tanto para trabalho, quanto para lazer, recebendo milhares de pessoas em situação vacinal muito diversa.”

 

Fonte: Viva Bem/ UOL

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