#Relembre o caso de Fabiane, linchada em 2014 por causa de informação falsa

Fabiane Maria de Jesus, de 34 anos, foi espancada e assassinada no bairro em que morava, no litoral paulista, após ser acusada de lidar com magia negra e sequestrar crianças da comunidade. Tudo não passou de uma notícia falsa. O crime brutal aconteceu em 2004.

Antecedentes

Um boato de que uma mulher estaria sequestrando crianças para realizar rituais de magia negra na cidade se espalhou pela internet (principalmente em redes sociais). Posteriormente, foi divulgado online um retrato falado que passou a ser associado com o hipotético sequestro de crianças. No entanto, a representação gráfica da mulher era, na verdade, um retrato que havia sido feito por agentes da Polícia Civil do Rio de Janeiro por conta de um crime que havia acontecido dois anos antes do assassinato de Fabiane a muitos quilômetros de distância do local do linchamento. A polícia local também afirmou que não tinha qualquer registro de acontecimentos desse tipo no município de Guarujá.

Linchamento

No dia 3 de maio de 2014, os moradores do bairro confundiram Fabiane com a suposta criminosa dos rumores depois que a dona de casa ofereceu uma fruta, que havia comprado pouco antes, para uma criança que estava na rua. A mãe do menino presenciou a cena e acreditou que Fabiane fosse a suposta sequestradora, o que desencadeou um processo de fúria coletiva que culminou no linchamento da mulher por cerca de 100 pessoas; outras mil presenciaram as violentas agressões. Além disso, Fabiane estava carregando um livro preto, na verdade uma Bíblia, que foi logo associado ao satanismo pelos agressores.

Envolvidos, prisões e condenação

Cinco dos envolvidos no linchamento foram presos. Lucas Rogério Fabrício Lopes, um dos homens acusados, foi condenado a 30 anos de prisão por homicídio qualificado e também deverá pagar uma indenização de 550 mil reais à família de Jesus.
Na sentença, o juiz Edmundo Lellis Filho diz que as circunstâncias do crime revelam uma “barbárie atípica”. O documento também afirma que o Lopes, ao liderar o linchamento de Jesus, demonstrou uma “afinidade com a monstruosidade”. “No seu falar e agir, o acusado não revelou qualquer empatia com os ofendidos por seu ato, nem deixou ver o mais leve verniz de remorso”, afirmou o juiz.
Duas mulheres, Daiana e Camila, que acusaram injustamente Fabiane, foram indiciadas por incitação ao crime.
Reprodução: Wikipedia
Compartilhe!