Filme “A Viagem de Pedro” estreia nesta quinta (01) em todo o Brasil

Um novo filme do gênero drama chega às telonas de todo o Brasil nesta quinta-feira (1). Trata-se do filme “A Viagem de Pedro”, com duração de 1h36min e com classificação indicativa de 14 anos.

Em 1831, durante a travessia do Atlântico em uma fragata inglesa rumo à Europa, na qual se misturam membros da corte, oficiais, serviçais e escravizados, numa babel de línguas e de posições sociais, Pedro, o ex-imperador do Brasil, busca forças físicas e emocionais para enfrentar seu irmão, que usurpou seu reino em Portugal. Pedro se vê doente e inseguro. Ele entra na embarcação em busca de um lugar e também em busca de si mesmo.

De comum acordo, a diretora e o astro-produtor – Cauã é um astro aos olhos do público e um verdadeiro ator para qualquer crítico que se disponha a avalizar suas interpretações – escolheram o que nos créditos do filme A Viagem de Pedro, que estreia nesta quinta-feira, 1.º, é definido como uma lacuna histórica. Não existem muitos registros da viagem da volta de Pedro a Portugal. Escorraçado do Brasil, ele retornou à pátria para guerrear com o irmão, Miguel. Em Portugal, tornou-se d. Pedro IV. Tratou de assegurar o trono para a filha. O olhar feminino. Na embarcação, Laís colocou o Brasil que Pedro estava abandonando. Colocou negros, serviçais, escravos. “Por mais ficcional que seja a estrutura, o que dizem tem embasamento histórico. São depoimentos que encontramos em documentos. Esses negros haviam chegado ao Brasil a bordo de embarcações. No Rio, havia a Pequena África como estação de desembarque e venda de pretos, os escravizados. De volta ao navio, não retornavam à África, mas a outra estação do seu cativeiro”, diz Laís.

Ela tem feito muitos debates sobre o filme. “Os melhores têm sido com pretos na mesa e na plateia. Eles recebem o filme de forma diferente, com uma sensibilidade mais à flor da pele para os problemas abordados.” E Cauã: “Esse Pedro é um dos personagens mais complexos que já criei. É contraditório, epilético. Passou à história como amante e estrategista, mas está impotente e lhe falta a mulher, Leopoldina, ela, sim, a estrategista da Independência, com José Bonifácio”. Para complicar, durante o processo, ele perdeu a mãe. Ficou mais fragilizado ainda. Na embarcação, Pedro pode ser generoso com seus serviçais – dá um presente valioso a uma preta. “A liberalidade, nele, é vaidade. Quando se sente acuado é um déspota, autoritário.” O olhar sobre ele, além de feminino, é moderno, atando o filme à atualidade. “O filme fala de racismo estrutural, de masculinidade tóxica, e são temas que precisamos discutir, cada vez mais. A cultura tem sido criminalizada, marginalizada no Brasil. Sou pela cultura e pela democracia”, reflete Cauã.

Confira o trailer:

reprodução/ Terra

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